quarta-feira, 18 de julho de 2018

Casagrande e sua luta comovente contra a dependência química!

          
        No último domingo, 15, chegou ao fim a 21ª edição da Copa do mundo. A França se sagrou bicampeã mundial. A Croácia foi vice, mas ficou em primeiríssimo lugar no quesito simpatia. No entanto, confesso que nenhum desses momentos me marcou tanto quanto a emoção de Casagrande no final da transmissão da Globo quando o mesmo, aos prantos, celebrou o fato de ir, permanecer e sair do Mundial da Rússia sem consumir drogas. Ter conseguido se manter sóbrio (termo que o próprio ex-jogador usou) é uma vitória não só dele como de milhares de pessoas que, assim como ele, sofrem desta terrível doença chamada dependência química.
          O vício das drogas (sejam elas lícitas ou, principalmente, proibidas) é um câncer social que assola indivíduos, destrói famílias e corrói a dignidade humana. Uma vez viciado, sempre viciado. Ter a maturidade pra entender isso representa um passo vital na luta diária contra a compulsão. A droga entorpece, acalma, alivia, proporciona prazer e êxtase. Parece uma ótima saída ou fuga de tristezas, amarguras e decepções. Todavia, simboliza a inserção em um universo repleto de dor, sofrimento e degradação. A droga atenua qualquer crise existencial, mas sobrecarrega a alma ante uma dependência feroz e desumana. O dependente químico se torna escravo de segundos de uma satisfação que de tão efêmera mostra-se patética. A porta de entrada pra esse mundo é muito ampla, contudo, sua saída é bem estreita. Apenas uma minoria consegue, em um lampejo de lucidez, sair desse gigantesco labirinto tenebroso para adentrar em uma nova guerra: a de lutar  contra si mesmo todos os dias, horas, minutos e segundos travando batalhas intermináveis contra desejos, compulsões e crises de abstinência. Este é um embate que não se vence sozinho, mas que deve partir do íntimo daquele que é o protagonista de seu próprio sofrimento.
          Ao expor sua doença publicamente, Casagrande teve uma postura louvável pela coragem em assumir o problema e, desse modo, propiciar a conscientização de milhões de pessoas. Por ser uma pessoa pública sua atitude ganha ainda mais relevância já que mostrando suas fraquezas e, ao mesmo tempo, sua incrível determinação, o ex-jogador e comentarista traz a mensagem inconteste de que as drogas são um mal com potencial para atingir qualquer um. A reconstrução do ser humano Walter Casagrande Júnior é algo admirável que demonstra, indubitavelmente, a grandeza de um ser humano consciente de seus erros e limitações, porém, ávido por uma vida transformada e liberta dos riscos e armadilhas que só o mundo das drogas pode provocar. Parabéns, Casão! 

terça-feira, 12 de junho de 2018

Copa do Mundo e Brasil: uma relação repleta de contradições!


Aproximamos-nos do fim da primeira metade de junho de 2018 e mais uma Copa do Mundo está por vir. Em meio a tal espera surgem imagens, depoimentos e demonstrações de afeto pela conhecida pátria de “chuteiras”. Muitas pessoas saem às ruas, vão a barzinhos com amigos ou, simplesmente, ficam em casa com a família nutrindo e exalando um ufanismo nacional que dura no máximo um mês e que só é despertado a cada quatro anos.
O Brasil é o país com mais títulos na história do futebol mundial carregando consigo cinco estrelas na sua camisa amarela que equivalem a cinco conquistas mundiais. No entanto, quero ressaltar que não é só no futebol que a nossa nação figura nos primeiros lugares. Só pra você ter uma ideia, o Brasil ocupa a 1ª posição no número de assassinatos no mundo: são, em média, sessenta mil homicídios por ano. Temos ainda a 3ª maior população carcerária do planeta com 726 mil presos (fora aqueles que continuam soltos tocando o terror nas ruas). Sem falar que somos o país com a 3ª maior evasão escolar do planeta segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Se virarmos outras tabelas de classificação ao avesso os dados são ainda mais alarmantes, como por exemplo: o Brasil tem dentre 188 países pesquisados o 79º melhor índice de Desenvolvimento Humano. “Ostentamos” também uma educação avaliada entre as piores de todo o mundo ocupando a trágica 63ª posição.
Portanto, meus amigos, celebremos, sim, os cinco títulos mundiais da seleção brasileira de futebol, mas não deixemos de recordar dos outros primeiros lugares que o Brasil ocupa e que não são nada honrosos. É justo e saudável torcermos pelo nosso país em um esporte tão importante e transformador social para a vida de muitos jovens como  o futebol. Vamos torcer, vibrar, nos emocionar com cada gol, jogada, drible, mas... principalmente, não esqueçamos da nossa realidade, das nossas mazelas e do compromisso que temos em mudar os rumos dessa nação. Que a Copa do Mundo seja um período de festa e alegria para o nosso povo tão sofrido, mas que, ao mesmo tempo, não seja apenas um momento de transe no qual anestesiados por um torpor efêmero ignoremos nossas tragédias sociais que nos assombram por completo a cada dia que passa e que nos transformam em vítimas de um sistema injusto e segregador.     




domingo, 10 de dezembro de 2017

Crise da meia idade

Esse período da vida demarcado entre, aproximadamente, os 40 e os 60 anos, é conhecido como meia idade e costuma provocar uma certa desestruturação no sujeito. Via de regra, a maior parte das pessoas atingiu seu auge tanto na carreira profissional quanto na vida pessoal além de se estabelecer financeiramente, nessa faixa etária.


Todavia, nem todo mundo passa ileso por essa fase, olhando para trás de forma positiva. É comum chegar nesse momento acumulando frustrações por conta de metas não atingidas propiciando, assim, sensações dolorosas de incapacidade e tristeza. A meia-idade traz consigo sintomas de declínio físico afetando homens e mulheres; os primeiros tendem a apresentar menor impulso sexual e maiores problemas como a disfunção erétil; as últimas, por sua vez, se veem em meio ao contrário ambiente emocional provocado pela menopausa com todos os seus efeitos indesejáveis como os conhecidos calorões e a diminuição da libido. Os reflexos emocionais nesta fase também são complexos. Nesta etapa, muitos indivíduos ainda estão envolvidos na educação dos filhos e no cuidado com os pais idosos. Em muitos casos, o adulto de meia-idade ainda toma conta dos netos o que pode representar alegria, mas, ao mesmo tempo, uma sobrecarga. Eventos como a separação conjugal e o desemprego contribuem igualmente para esse complexo período da vida. No primeiro caso, há todo um conflito gerado por causa da guarda dos filhos e divisão dos bens materiais; no segundo, a falta de emprego traz consigo grande ansiedade até mesmo pela dificuldade de arrumar nova ocupação devido à idade.
Alterações de humor como irritabilidade e agressividade são comuns quando o indivíduo ao fazer uma análise de tudo que viveu se dá conta de que não alcançou aquilo que queria. Ter um suporte familiar bem estabelecido e uma rede de contatos sadia auxiliam, categoricamente, no lidar com o que não foi e ter a consciência de que a vida não acabou e que é plenamente possível criar novos objetivos e estratégias para se atingir a felicidade  e o bem-estar.


segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

HIV/AIDS e o seu mais grave sintoma: o preconceito!

A AIDS é uma doença que, infelizmente, ainda enfrenta uma significativa barreira imposta por mitos e tabus. A mesma carrega consigo diversos estigmas pautados, principalmente, pelo desconhecimento e o preconceito. Até a algumas décadas, receber o diagnóstico da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida soava como uma verdadeira sentença de morte já que se sabia muito pouco sobre as causas, efeitos e tratamentos da referida doença.
Apesar da grande revolução no tocante a intervenção médica (o que levou a AIDS, inclusive, ao patamar de afecção crônica), há ainda um grande contingente de pessoas que perdem suas vidas todos os anos e outras tantas que convivem com o vírus sem ao menos saberem disso. A falta de informação é um entrave ao efetivo enfrentamento do problema: por exemplo, tem gente que acredita que HIV e AIDS são a mesma coisa, o que não é verdade, pois o primeiro é o vírus provocador da segunda que é a doença propriamente dita com suas infecções oportunistas que sabotam o sistema imunológico.  A sintomatologia é de difícil abordagem, porém, alguns indícios surgem como febre insistente, excesso de fadiga, diarreia prolongada seguida de perda de peso, etc. Também é salutar esclarecer que há casos em que o HIV está presente no organismo, contudo, a AIDS ainda não se manifestou. Em virtude desse quadro, o recomendável a quem está infectado é buscar uma postura de vida que venha a evitar contato com estímulos estressantes que podem propiciar o aparecimento da doença. O preconceito representa um inimigo persistente e mordaz para o soropositivo. Os mitos envoltos na doença só alimentam essa visão estereotipada. Torna-se imprescindível esclarecer que a contaminação não ocorre via picada de mosquitos, nem por meio de abraços e apertos de mão e nem através de tosse ou espirro. O contágio se dá através do contato sexual anal, vaginal e oral de modo desprotegido e, também, por conta do compartilhamento de agulhas e objetos cortantes como alicates de unha, por exemplo. Outra lenda urbana criada em torno do assunto e que deve ser desmistificada é que só homossexuais e prostitutas estão sujeitos ao HIV (Pois é! Muitos ainda refletem dessa forma!).
O HIV/AIDS é um fenômeno global recente, tendo em vista, que os primeiros casos datam do final dos anos 1970. A estigmatização e a criminalização da doença contribuem para ações orientadas pela intolerância. O mais eficaz remédio para aniquilar essa visão preconceituosa ainda é a informação.


terça-feira, 28 de novembro de 2017

Depressão: mal do século


No mundo contemporâneo do qual fazemos parte somos invadidos, o tempo inteiro, por conflitos e angústias que se não bem explorados tem a capacidade de ir minando nossa energia física e mental. Todo esse contexto propicia um terreno fértil para o adoecimento do corpo e da mente causando o chamado mal do século por ser considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a doença mais comum entre as pessoas até 2030: a depressão.
É comum encontrarmos definições rasas e precárias do que significa de fato o termo. É um equívoco muito grande correlacionar tal transtorno mental com tristezas normais do cotidiano que não apresentam, nem de perto, a sintomatologia grave e complexa da doença. No entanto, é importante estar atento aos sinais emitidos pelo potencial depressivo porque o problema, como já foi enfatizado, pode ser confundido com um abatimento comum. Por isso, é necessário avaliar alguns aspectos. A sintomatologia da depressão é fundamentada em uma estado deprimido na maior parte do tempo, todos os dias; surge a anedonia, ou seja, a perda de interesse em executar as atividades rotineiras; a alteração no peso com perda ou ganho; o sono é afetado com a presença de Insônia ou hipersonia; fadiga excessiva; sensação de culpa e inutilidade; pensamentos de morte, entre outros indícios. Se você apresenta alguns desses sintomas não incorra em precipitação se autodiagnosticando e se automedicando. Procure a ajuda de um médico. Outra coisa: não se isole, por mais que esse seja o seu desejo. Mesmo que seja sacrificante, não abandone sua rotina e as pessoas que fazem parte da sua rede de contatos.
Recorrer a um profissional da Psicologia também ajudará, consideravelmente, na prevenção do problema antes que ele se transforme em um monstro de caráter monumental e Indomável. Um olhar atento a si mesmo todos os dias em um duro e contínuo exercício de auto-renovação mental e emocional nos torna mais íntegros e prontos para lidar com demandas, muitas das vezes, duras e cruéis da realidade que é apresentada a cada alvorecer.


domingo, 26 de novembro de 2017

Crie menos expectativas!

As expectativas em excesso costumam restringir o nosso posicionamento perante a vida. Ao desejarmos algo com tanto ardor acabamos abrindo diante dos nossos olhos cenários de decepções e questões emocionais mal resolvidas. Ao, ansiosamente, criarmos um contexto que ainda nem existe imaginamos conteúdos, diálogos e relações que, a priori, devem acontecer de acordo com o nosso bel-prazer.

Desse modo, idealizamos a nossa vida como se a mesma fosse um roteiro de cinema no qual cada etapa da existência seria pautada por ações previamente estabelecidas. Divagamos sobre situações hipotéticas que sonhamos se tornar realidade: “Se aquele colega de firma não fosse tão grosso...” ou “Se meu marido me desse mais atenção!” Infelizmente não é possível controlar o que ocorre ao nosso redor. Os acontecimentos do cotidiano, simplesmente, acontecem! Não somos juízes do mundo, muito menos, do futuro. Ao vivermos esperando que as coisas se desenrolem do nosso jeito nos tornamos escravos das nossas esperas. Projetar nossa rotina, metas e relacionamentos (tendo como referência algo que nem sabemos se vai acontecer) denota sinal de imaturidade e fraqueza. É preciso entender que temos a necessidade de lidar com o que vier (seja o que for!) já que ao fantasiarmos a realidade abrimos brechas para a frustração e a ansiedade, além de nos enclausurarmos em nós mesmos. Para sair dessa “prisão” é imprescindível determinar o que é controlável e o que não é. Não se pode prever o pensamento dos outros, nem as circunstâncias da vida.

Se tudo saísse às mil maravilhas, exatamente da maneira que nossas aspirações permitissem supor, a vida não teria graça. Lidar com conflitos e com o inesperado pode se tornar uma grande chance de obter vitórias em nossa trajetória e de ter um amadurecimento sadio. Espere menos e viva mais!

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Vidas destruídas pela pedofilia


Por muito tempo, a pedofilia foi tratada como um tabu, muito embora, sempre tenha existido. De uns tempos para cá, o panorama vem se modificando com o maior aparato da mídia e da sociedade. Este é um crime atemporal que pode vir a ser praticado em qualquer lugar afetando os mais diversos segmentos sociais. Não há distinções para tamanha barbaridade. Como já mencionei, pedófilos não são integrantes exclusivos do nosso tempo. No entanto, não há uma data específica para a origem de tal prática.
É imprescindível pontuar que já, há muitas gerações, inúmeras culturas objetivam exterminar qualquer comportamento sexual entre parentes consanguíneos, o conhecido incesto (em alguns grupos sociais há uma tolerância maior com esse tipo de relação). Já é público e notório que a grande maioria dos casos envolvendo abuso sexual infantil traz como personagens centrais integrantes da própria família como pai, mãe, irmãos, tios e primos, por exemplo. Meninas são os maiores alvos, apesar de haver uma proporção razoável de meninos atingidos. Desde muito cedo, a criança deve ser condicionada às regras de convivência e do que é permitido ou não (até como uma forma de autoproteção). As restrições e proibições impostas pelos pais e a família criam na cabeça da criança normas essenciais de convívio social que devem ser respeitadas para a convivência em modo civilizado como, por exemplo, não ter relações sexuais com os pais ou irmãos.Esse tipo de ensinamento introjetado na cabeça de um “ pequeno” o fará estranhar qualquer ação sexualizada a que seja exposto por quem quer que seja. Também é necessário colocar que abuso sexual infantil se caracteriza quando existe o contato sexual, permitido ou não, entre um adulto e um menor.
Várias são as consequências da pedofilia como práticas de regressão (a criança tende a repetir gestos já abandonados como chupar dedo ou perder o controle esfincteriano). Ademais, é comum quadros de depressão e ansiedade. No tocante aos adultos, os relacionamentos afetivos apresentam a tendência de se mostrarem conflituosos. Há a grande possibilidade do surgimento de fobias sexuais ou, até mesmo, o desenvolvimento de comportamentos sexuais promíscuos. O tratamento psicológico e psiquiátrico são imprescindíveis.


Casagrande e sua luta comovente contra a dependência química!                    No último domingo, 15, chegou ao fim a 21ª edição da...